8 de julho de 2017

Opinião – “Planeta dos Macacos: A Guerra” de Matt Reeves


Sinopse

Em Guerra, no terceiro capítulo do aclamado blockbuster, César e os seus companheiros são forçados a um conflito mortal com um exército de seres humanos liderados por um Coronal implacável. Depois de sofrer perdas inimagináveis, César luta com seus instintos mais obscuros entra numa missão para vingar a sua espécie. À medida que a viagem chega ao fim, César e o Coronel confrontam-se numa batalha épica que determinará o destino de suas espécies e do futuro planeta.

Opinião por Artur Neves

Esta saga do Planeta dos Macacos, em que pelos mais variados motivos os símios disputam a supremacia sobre os humanos, teve o seu início em 1968 e continuação em 1970; 1971 e 1973 com macacos educadinhos e humanos esfarrapados após um apocalipse na terra. Em 2001 voltou-se ao tema num “episódio único” com macacos e homens na sua forma comum disputando a supremacia de uma raça sobre a outra num ambiente de apocalipse. Em 2011 refundou-se o conceito e começou a saga atual, continuada em 2014 e neste filme de 2017, com o mesmo assunto resultante de um erro científico dos humanos que deu origem ao desenvolvimento de uma inteligência anómala nos símios que os levou a lutarem pelos seus direitos.
Matt Reeves, nascido em 1966 nos USA, foi o escritor, realizador e produtor desta história que continua o também seu argumento do filme de 2014, dando particular destaque a César (Andy Serkis) um símio sobredotado em inteligência e nobreza que se transforma em condutor do seu povo na luta insana com os humanos que os querem fazer escravos, além de lutarem entre si numa guerra fratricida que os levará à aniquilação total.
A história, embora seguindo um argumento já conhecido, está bem estruturada elegendo como principal inimigo dos macacos um Coronel renegado, (Woody Harrelson) com evidentes sinais de loucura, frieza, despotismo e indiferença pela condição humana ou pelas outras raças deste planeta, tirando prazer da possibilidade de tirar a vida a todos que o confrontem.
A oposição dos objetivos entre os dois formata o núcleo da história que se desenvolve em 140 minutos de ação, estratégia e luta sofrida confrontando conceitos como; honra, família, companheirismo e entreajuda entre os símios, como se de uma lição de humanidade se tratasse, vindo de onde menos seria expetável.
O filme é rodado em 3D, mostrando em visão estereoscópica as expressões de homens e macacos, transmitindo com isso uma densidade emocional que contagia o espetador e lhe mostra a verdadeira dimensão do cinema como veículo de entretenimento e transmissor de emoções que se busca na sala escura. Os efeitos de caracterização e o tratamento digital da imagem são verdadeiramente espetaculares e tornam obsoletas as máscaras usadas nas décadas de 60 e 70 dos primeiros filmes, muito embora constituam parte do caminho que percorremos até aqui. Em 3D toda a ação entra pelos nossos olhos e provoca-nos movimentos de defesa inusitados, provocados pela surpresa de uma imagem que nos persegue. Se tiverem possibilidade de ver este filme neste formato, recomendo.
Classificação: 7 numa escala de 10

1 de julho de 2017

Opinião – “Homem Aranha: Regresso a Casa” de Jon Watts


Sinopse

Um jovem, Peter Parker (Ton Holland), que vimos já na sensacional participação em Capitão América: Guerra Civil, começa a conhecer melhor a sua recém-descoberta identidade como super-herói que dispara teias no filme Homem Aranha: Regresso a Casa. Entusiasmado com a sua experiencia com os Vingadores, Peter regressa a casa, onde vive com a tia May (Marisa Tomey), sempre debaixo do olhar vigilante do seu novo mentor, Tony Stark (Robert Downey, Jr.). Peter procura reintegrar-se na rotina diária, sempre focado no desejo de provar que não é a penas o super-herói simpático que vive nas redondezas, e assim sendo, Vulture (Michael Keaton) surge como o novo vilão, e tudo o que é mais importante para Peter fica ameaçado…

Opinião por Artur Neves

A saga do Homem Aranha começa na Marvel Comic Books em 1962 e tem a sua primeira aparição em cinema em 1977 tendo continuado com sucessivas sequelas justificadas com o sucesso de bilheteira que este trabalho tem apresentado em todas as suas versões. A história é simples, trata-se de um super-herói que combate o mal em defesa do bem, utilizando como arma a sua extraordinária agilidade, coadjuvada pela emissão em forma de jato de um produto (a teia da aranha) que manieta os adversários que tentam opor-se à sua cruzada, corporizando a ideia do herói que não mata, prende e reformula a maldade do seu antagonista.
Tem sido assim desde 1977, e pelos seis filmes que se seguiram, utilizando-se o conhecimento adquirido no filme anterior para continuar a aventura com novos vilões mas mantendo a candura naif do super-herói, que atua incógnito, sob disfarce e aparece sempre nos momentos mais críticos em que a vítima mais precisa dele ou que o vilão se prepara para nova malfeitoria sempre mais destruidora do que a anterior. É o guião clássico.
Desta feita porém a Marvel Studios foi mais longe e alterou um pouco os dados da equação, produzindo um Homem Aranha novo, ainda a frequentar o ensino secundário, à procura da sua identidade como super-herói, tendo de provar a sua competência e merecimento de usar o fato que já lhe conhecíamos, perante todos os outros super-heróis criados pela Marvel, sob a supervisão remota, mas não menos presente do Iron Man (Tony Stark) que intervém nas situações mais críticas em que o putativo aspirante a “Aranhiço” se envolve.
Os meios são fabulosos, o filme é rodado em IMAX 3D com toda a magnificência do formato e considerando que a história visa somente dar alguma justificação à ação, podemos deleitar-nos e apreciar as imagens computorizadas, fluidas, espetaculares, que vêm na nossa direção e se desviam no último momento. É o que pode chamar-se de um visionamento imersivo, de uma história renovada, com um novo vilão para um renovado super-herói, que inclui outros super-heróis igualmente conhecidos e nos transporta para o mundo mágico da justiça e da ordem exibindo uma modernidade que reconhecemos na atualidade real e enaltecendo os valores da família como o pilar da sociedade, incluindo mesmo a família do vilão.
É um filme divertido, para todas as idades, bem disposto, bem construído e tecnologicamente evoluído.

Classificação: 6 numa escala de 10