10 de junho de 2017

Opinião – “Girls Night” de Lucia Aniello


Sinopse

No filme “Girls Night”, uma comédia picante, cinco melhores amigas do tempo de escola – Scarlett Johansson, Kate McKinnon, Jillian Bell, Ilana Glazer e Zoë Kravitz – reúnem-se 10 anos mais tarde para uma despedida de solteira selvagem em Miami.
A festa louca sofre uma reviravolta inesperada quando as cinco amigas matam acidentalmente um stripper. Por entre loucas tentativas de decidirem o que fazer, elas deparam-se durante a noite com inesperadas situações hilariantes que acabam por as unir mais do que nunca.

Opinião por Artur Neves

Lucia Aniello transporta-nos neste filme para a loucura da juventude americana na transição para a idade adulta, com uma história duma despedida de solteira com contornos verdadeiramente picarescos e humorísticos, através dos quais é traçada uma radiografia, algo forçada, mas também realista e genuína da sociedade atual, na qual se libertaram as amarras da contensão e do ser sem necessidade de parecer, independentemente de toda compostura a que tradicionalmente nos habituaram a aceitar como imutável e imprescindível.
Nesta área, a linguagem tem um papel fundamental, pois é através dela que todas as emoções, desejos e projetos são partilhados com as pessoas que nos rodeiam e é essa mesma linguagem que nos mostra a transformação das relações sociais de que aquelas cinco amigas estão imbuídas convidando-nos a aceitar esta “nova ordem”. Pouco “nova” porque representa afinal um regresso ás origens do nosso ser e sem realmente ser uma “ordem” porque é mais a adesão ao movimento imparável de alteração de costumes de que a civilização ocidental está animada.
Para as nossas amigas vale tudo e quanto pior, melhor, pelo que a organização do evento reveste-se de particularidades formais nos mais ínfimos pormenores, em todos os adereços escolhidos, e nos espaços e “estrelas” contratadas. Tudo conduziria a uma festa de arromba se não fosse o choque com a realidade ocorrida com a morte acidental do “contratado” que não tinha mesmo outro lugar para ter um acidente, provocado pela “gula” de uma das companheiras, senão naquela festa onde tudo foi meticulosamente previsto para ser memorável.
A partir daqui o roteiro altera-se um pouco e embora a loucura continue, ficará condimentado com laivos de responsabilidade, verdade na confrontação dos diferentes pontos de vista, medo do comprometimento, revelações surpreendentes, declarações recalcadas que vêm ao de cima, numa amálgama de amizades antigas que se confrontam num ambiente estranho. É aqui que a história tem o seu ponto alto como montra social das relações humanas e Lucia Aniello consegue mostrar-nos diversidade nos comportamentos, mantendo toda a loucura dos personagens em confronto.
Curioso é ainda, observar a diferença apresentada entre a festa de despedida de solteira das raparigas e a festa de despedida de solteiro dos rapazes… as “coisas” estão mesmo a mudar. Claro que o espírito de comédia e de crítica não se perdem em toda a história e no final tudo acabará justificadamente bem como é tradição. É um filme divertido, bem feito, com bons momentos de gargalhada e sério nos quadros de vida representados. Uma recomendação caro espetador, veja todo o genérico final, pois durante e após este, são apresentadas duas cenas de epílogo da história.

Classificação: 7 numa escala de 10

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