24 de fevereiro de 2017

Opinião – “Policias Corruptos” de Alex Brewer e Benjamin Brewer


Sinopse

Jim Stone (Nicolas Cage) e David Waters (Elijah Wood) fazem parte da unidade forense da Polícia de Las Vegas, na equipa de Gestão de Provas. Ambos têm uma vida difícil e são pouco respeitados no seu trabalho. Stone está aborrecido e desiludido e Waters, igualmente passivo, está a tentar ultrapassar a recente separação da sua mulher. Ao rever pastas de alguns casos, Stone descobre um recibo com informação acerca de uma recente apreensão de droga a um gangue e começa a elaborar um plano para ficar com o dinheiro. Após recrutar Waters como ajudante, ambos vão prosseguir com o plano para o golpe e tomam posse de um cofre. Os problemas começam quando Waters muda de ideias e não quer continuar a participar do golpe. A partir daí, as coisas vão começar a correr muito mal...

Opinião por Artur Neves

Jim Stone e David Waters são dois polícias que tentam aproveitar oportunisticamente uma situação acidentalmente descoberta na sua atividade normal de trabalho forense, cedendo aos seus instintos mais profundos de ganhar dinheiro fácil que lhes permita afastar-se das suas monótonas profissões, mesmo incorrendo em faltar ao compromisso de honra para com a corporação policial e a sociedade que neles confia.
Dito assim parece uma história linear que todavia não se verifica porque os irmãos Brewer, realizadores de serviço, (talvez inspirados por outra dupla de realizadores: os irmãos Coen) quiseram construir um filme negro que fosse uma comédia thriller (ou vice-versa) com dois atores tão dissonantes como diferentes são as características dos seus personagens em que se mostra um Jim Stone (Nicolas Cage) brigão, oportunista, velhaco, imprevisível, frio e um David Waters (Elijah Wood) abatido, reservado, a compensar o seu falhanço matrimonial com sessões de evasão por consumo de droga, só remotamente interessado no arrojado plano do colega, até porque receia as consequências da ideia, mas que o segue e faz equipa com ele para não ter de argumentar os reais motivos de desgosto e autocomiseração que lhe ocupam o espírito.
Para dar contexto a este esquema a história apresenta-nos episódios quotidianos destas personagens e dos seus pares na atividade policial que nos pretendem fazer rir, mas que só provocam expectativa quanto à sua inserção na história, considerando que estão deslocados do fio condutor que move a ação. Para mim, Nicholas Cage nunca foi um ator escorreito mas neste filme, assumindo um papel entre a excentricidade e a imprevisibilidade oferece-nos um personagem barato, cheio de truques e ideias tresloucadas que pretendem induzir sorrisos, mas que avivam a memória para outros filmes onde aqueles gags já forma utilizados com equivalente insucesso. Elijah, por seu lado, ao assumir uma postura mais reservada podia equilibrar os devaneios de Cage mas não é isso que acontece e o filme desenvolve-se entre a imprevisibilidade e o amadorismo identificado mesmo em algumas fragilidades do argumento.
Curiosamente dá-nos o ensejo de ver (ou rever) Jerry Lews, totalmente diferente do que nos habituou ao longo da sua carreira mas com uma presença tão curta que só se retém a sua cara enrugada e o seu ar abatido e, direi mesmo, infeliz. Assim sendo este filme não está bem em nenhum dos seus objetivos; para ser thriller falta-lhe suspense e emoção, para ser comédia negra falta-lhe sobriedade e distanciamento que pode resumir-se como sendo “um filme em modos de assim…”

Classificação: 4,5 numa escala de 10

21 de fevereiro de 2017

Passatempo Cinema - O ESPAÇO QUE NOS UNE

A D'Magia em parceria com a Big Picture Films tem para oferecer 25 convites duplos para a antestreia do filme "O espaço que nos une",  dia 28 de Fevereiro, às 21.30h:

NOS Cinemas UCI El Corte Inglés Lisboa – 5 convites duplos
Cinemas NOS Parque Nascente Gondomar – 20 convites duplos

Sinopse:
Uma nave espacial embarca na sua primeira missão para colonizar Marte. Durante a longa viagem descobre-se que uma das astronautas está grávida. Já em Marte, ela morre devido a complicações no parto do primeiro humano nascido no planeta vermelho – nunca tendo chegado a revelar quem é o pai do seu filho.

Aqui começa a extraordinária vida de Gardner Elliot – um menino curioso e altamente inteligente que atinge os 16 anos apenas conhecendo 14 pessoas no seu ambiente pouco convencional. Enquanto procura por pistas sobre o seu pai e sobre o planeta Terra que nunca conheceu, Gardner inicia uma amizade online com uma rapariga do Colorado chamada Tulsa.

Quando finalmente chega a oportunidade de ir para a Terra, Gardner está ansioso para experimentar todas as maravilhas sobre o que lera em Marte – das coisas mais simples às mais extraordinárias.

Mas assim que as suas explorações começam, cientistas descobrem que o seu organismo pode não se adaptar à atmosfera da Terra.

Na expetativa de encontrar o seu pai, Gardner foge à equipa de cientistas e encontra-se com Tulsa, numa corrida contra o tempo para descobrir as suas origens, a vida e o seu lugar no universo.

Trailer:
https://www.youtube.com/watch?v=NKDpohGrdEM

Para te habilitares a ser um dos vencedores só tens de responder à seguinte pergunta:

- Qual o nome do realizador deste filme?

Caso nos sigas nas nossas outras plataformas, a tua participação conta como mais uma por cada plataforma em que nos seguires. Basta nos referires na tua participação o teu nome de seguidor em cada uma delas. As nossas plataformas são: 

Blog D'Magia LifeStyle / Inconfidências de Pedaços Rasgados de Memória - https://www.pedacosrasgadosdememoria.blogspot.com

Regras do passatempo:
1) Enviar a resposta para martadacunhaecastro@gmail.com indicando: Nome Completo, Número de BI ou CC, Nome de Fã no Facebook e Nome de Seguidor no Blog
2) O assunto do email deverá ter a menção Passatempo Cinema - O espaço que nos une e a localidade (LISBOA ou PORTO)
3) Só é válida uma participação por pessoa/e-mail.
4) É obrigatório seres nosso Fã no Facebook e Seguidor no Blog.
5) O passatempo é válido até às 23:59 de dia 26 de Fevereiro
6) Os vencedores serão apurados através de um sorteio via random.
7) Os vencedores avisados através de email.

15 de fevereiro de 2017

Opinião – “Passageiros” de Morten Tyldum


Sinopse

Jennifer Lawrence e Chris Pratt são dois passageiros a bordo de uma nave espacial que os transporta para uma nova vida noutro planeta. A viagem sofre uma reviravolta mortal quando as cápsulas de hibernação os acordam 90 anos antes da chegada ao seu destino. À medida que Jim e Aurora tentam desvendar o mistério por trás desta falha, apaixonam-se, sendo incapazes de negar a sua intensa atração... sendo no entanto ameaçados pelo iminente colapso da nave e pela descoberta da verdade sobre o porquê de terem acordado.

Opinião por Artur Neves

Esta história tem um princípio que nos excita e nos torna atentos ao que nos pretenderá mostrar, mas lamentavelmente depressa perdemos toda essa emoção quando começamos a compreender que o que move o realizador Morten Tyldum, nascido na Noruega há 50 anos, é criar uma novela inevitável entre duas coqueluches Hollywoodescas; Jennifer Lawrence uma das atrizes mais bem pagas atualmente e Chris Pratt, estrela de “Mundo Jurássico” 2015, que por motivos não muito bem revelados se encontram presos numa nave interestelar que transporta cinco mil pessoas para um destino mais promissor do que neste pobre planeta azul que abandonaram, sabe-se lá porquê!...
A viagem está programada para cento e cinquenta anos pelo que todos os passageiros viajam em hibernação, mas uma avaria faz despertar Jim Preston (Chris Pratt) noventa anos antes de chegar ao destino, ficando com pouco tempo para usufruir da “Terra Prometida”. Durante o 1º ano ele ainda se aguenta sozinho a reparar tudo o que encontra e a conversar com um barman androide a quem ele conta a sua solidão e o desejo de acordar a bela Aurora Lane (Jennifer Lawrence) que ele catrapiscou nos seus passeios pela nave, mas sabe também como isso significa uma condenação á morte da sua desejada companheira e sabe ainda que não tem o direito de se arvorar em Deus para lhe determinar tal destino.
Ficamos a saber que ele é engenheiro mecânico e ela é potencial escritora, porque ele dedica-se a pequenas reparações no interior da nave para o que constrói uma bancada de serralheiro onde gasta tempo em todos os hobbies que apanha à mão e ela escreve um romance que já vem pensado da terra que abandonou. Mas nem uma palavra sobre o motivo que os moveu ao envolverem-se naquela aventura, o que procuram no futuro, no destino longínquo que adotaram, o que os fez deixar o passado, quais os seus princípios, nada… apenas o vazio tão vazio como o meio onde aquela nave se desloca.
Perante estes dilemas éticos de vida, morte, direitos humanos, respeito pelo próximo o que move o realizador é o sobreaquecimento do reator estando a solução para o problema em acordar “naturalmente”, um dos oficiais da nave que irá entregar ao nosso engenheiro uma chave digital antes de morrer, que fará maravilhas e tornará o nosso herói improvável, o salvador da missão e a redenção para o seu imperdoável ato de acordar a sua amada.
Ora bolas meus senhores, a nave concebida até está interessante e surpreende-nos, mas não permitiria o nascimento de uma árvore no solo de aço, nem a concepção futurista do touch screen é tecnologia suficiente para conseguir tudo, desde bebidas frescas até uma complexa cirurgia ao coração realizada por personagens de que desconhecemos as motivações. É pena vermos uma ideia arrojada tão malbaratada por trivialidades que pretendem justificar que o amor é mais forte, que á ética é lançada às malvas e que os fins justificam os meios.


Classificação: 4 numa escala de 10

5 de fevereiro de 2017

Opinião – “Elementos Secretos” de Ted Melfi


Sinopse

Elementos Secretos, contam a incrível história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) – mulheres afro-americanas brilhantes que trabalham na NASA e são os cérebros por trás de uma das maiores operações da história: o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita, um incrível feito que restaura a confiança da nação, agita a Corrida Espacial e reanima o mundo. O trio visionário atravessa género e raças para inspirar as gerações a sonharem alto.

Opinião por Artur Neves

Theodore Melfi realiza um argumento escrito em coautoria com Allison Schroeder, a escritora do romance que inspirou esta história de preconceito, segregação racial, sexual e autonomia da maioria negra pouco assumida por uma América pouco consciente dos direitos dos outros, independentemente das suas caraterísticas físicas. Estamos pois em plena época da guerra fria na altura da corrida espacial contra uma União Soviética que ameaçava um sucesso indesejável para uma nação que pretendia conquistar vitórias em todas as frentes.
Os computadores estavam no seu início e todos os cálculos eram feitos por homens e mulheres com características excecionais para o cálculo numérico e para a matemática onde sobressairiam estas mulheres negras que este filme glorifica e faz sair com todo o mérito da irrelevância histórica a que foram remetidas pelos seus chefes e colegas menos dotados do que elas, emboras brancos.
A história gira portanto em torno da segregação racial nos USA mas abordada de um forma condescendente, exemplificada por clichés demasiado óbvios que em vez de valorizarem o seu inestimável contributo para a conquista do espaço, justificam de certa maneira a sua condição pela sua vivência, ambiente familiar e posição social na comunidade.
Logo na abertura do filme, a primeira cena desenvolve um diálogo entre um polícia “grunho”, do mais boçal que os USA podem ter nas suas forças policiais, com as três “heroínas” que ensaiam um diálogo fabricado de lugares comuns e verdades convencionais, na minha opinião, tão pouco prováveis como o desfecho daquele encontro fortuito na estrada.
A sua vivencia na NASA, embora enaltecendo as suas qualidades como “computadoras” centra-se em pormenores quotidianos de forte conotação racial, mas nunca conferindo às personagens uma verdadeira espessura enquanto pessoas, uma estatura humana resistente à humilhação continuamente infligida numa época que deve ter sido realmente difícil de coabitar com colegas homens e mulheres brancas, que apesar do seu árduo trabalho, apenas lhe dedicavam uma compreensão envergonhada e piedosa, a que elas no fundo, estavam agradecidas.
O filme vale pois para memória futura, para que não seja esquecido o seu contributo para o desenvolvimento tecnológico de um país que influenciou o mundo para o bem e para o mal mas por outro lado também branqueia o comportamento social de uma época que permitiu “naturalmente” a sua ascensão apesar da cor da pele. Trata-se de um filme frouxo, embora com algum interesse do ponto de vista documental e histórico.


Classificação: 5,5 numa escala de 10

25 de janeiro de 2017

Opinião – “O Heroi de Hacksaw Ridge” de Mel Gibson


Sinopse

“O Heroi de Hacksaw Ridge” conta a extraordinária história verídica de Desmond Doss (Andrew Garfield) que em Okinawa, numa das batalhas mais sangrentas da 2ª Guerra Mundial, salva 75 pessoas sem disparar uma única arma. Ele foi o único soldado americano que, durante a 2ª Guerra Mundial, luta na frente de batalha sem estar armado, acreditando que apesar de a guerra ser justificada, matar continuava a ser errado. Como médico do exército, consegue evacuar, por si só, os feridos que tinham ficado em território inimigo, arriscando a ser abatido enquanto tratava dos soldados caídos, sendo ferido pela explosão de uma granada e atingido pelos tiros de snipers. Devido à sua bravura, Doss torna-se no primeiro objector de consciência a ser condecorado com a Medalha de Honra do Congresso Americano.

Opinião por Artur Neves

Dez anos depois da realização de outro filme baseado em factos verídicos; “Apocalypto” em 2010, eis que Mel Gibson nos apresenta este novo trabalho contendo o relato autobiográfico de um herói improvável na batalha mais sangrenta da segunda guerra mundial com o Japão entre Abril e Junho de 1945, não sendo todavia a batalha definitiva desta guerra. O Japão viria posteriormente a capitular na sequência da explosão das duas bombas nucleares em Hiroxima e Nagasaki, assumindo uma rendição sem condições.
Os factos são conhecidos da história, pelo que o valor deste filme centra-se no realismo e capacidade técnica com que são encenados, mostrando-nos em inteligentes e bem concebidas simulações a violência e a desumanidade de um combate sem quartel entre o poderoso exército norte-americano e a obediência fanática de um povo que se constituiu todo como um exército em nome de um império que só existiu na mente megalómana do imperador que o concebeu e desejava a sua concretização a qualquer custo.
A representação da batalha está soberba, a morte é abundante, indiscriminada e extremamente violenta como previsivelmente terá acontecido. Todos os pormenores são considerados com cuidado, particularmente o dos ratos que pululam por entre os cadáveres indiferentes à paixão que move os homens naquele diferendo. A realização constrói um ambiente de morte fétida e de desolação absolutamente credíveis, pedaços de corpos saltam em pedaços de onde menos se espera, toda a paisagem “cheira” a morte (ainda bem que a industria cinematográfica ainda não recriou estímulos para o olfato pois seria impensável assistir) e caos onde um homem, modesto de ambições, se agiganta na fidelidade das suas convicções e na loucura que as mesmas lhe conferem e assume-se como o salvador que ele mesmo venera, embora noutro contexto.
Desmond Doss (Andrew Garfield) está perfeito no seu papel de objetor de consciência, mostrando na primeira parte do filme as razões inabaláveis das suas convicções e na segunda o altruísmo e a loucura que o movem para “salvar só mais um…” de cada vez que volta ao campo de batalha.
Este é pois um filme de guerra com toda a carga realista que o realizador lhe confere e que já nos habituou, pelo que não será para todos os públicos. É todavia uma boa obra e um documento humano da história recente que merecia esta homenagem. Bom filme, bem feito, que recomendo.

Classificação: 8 numa escala de 10

11 de janeiro de 2017

Opinião – “Animais Noturnos” de Tom Ford


Sinopse

Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia, ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. Por sua vez, o trágico livro acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho com um gangue. Durante a tensa leitura, Susan pensa sobre as razões de ter recebido o texto, descobre verdades dolorosas sobre si mesma e relembra traumas de seu relacionamento fracassado.

Opinião por Artur Neves

Susan, uma mulher sofisticada e de boas famílias, vive uma relação que já não a satisfaz com o seu segundo marido identificado como homem de negócios que justifica a sua disponibilidade de meios e qualidade de vida, recebe pelo correio para apreciação, um exemplar do ultimo romance escrito pelo seu primeiro marido e grande amor da sua vida que ela desprezou por influencia da sua mãe que atendia mais à posição social do que à verdade das relações.
É com esta guião que Tom Ford, Americano, realizador e autor do argumento nos apresenta este seu segundo filme, contado com uma história dentro da história da vida de Susan, que esta interpreta e visualiza através da leitura do romance como uma vivência que lhe poderia ter acontecido se continuasse casada com o seu primeiro marido. Essa sua leitura perturba-a muito para além do enredo do romance, embora este nos indicie a possibilidade real de cenas de violência gratuita e implícita, através da caracterização das situações e dos autores materiais desse crime, que nos aparecem muito credíveis e capazes de os executar.
Estamos assim perante um drama com um suspense que ao vê-lo, me recordou David Lynch no seu filme Moulholland Drive, considerando o ambiente, os locais, as personagens e a maneira demorada a apresentar os factos, embora sem a mestria deste autor, pois a Tom Ford ainda falta “um bocadinho” para lá chegar. Não quero dizer todavia que não estamos em presença de um bom trabalho, bem construído, com um Michael Shanon a interpretar um polícia dedicado ao seu trabalho, à beira da morte por um cancro que lhe limita os dias de vida mas que ele gasta naquele caso mostrando-nos o que representa para algumas pessoas a abnegação pelas causas em que acreditam.
Susan é assim levada a repensar os seus atos, todas as atitudes da sua vida até aquele momento, bem como as afinidades que tinha com o seu primeiro marido e o convencionalismo das causas, por vezes poereis que justificaram a sua separação, por troca com uma relação em fim de ciclo que não lhe trás felicidade embora muita qualidade de vida.
Laura Linney interpreta uma mãe de Susan que merecia mais tempo e diálogos mais profundos para afirmar o seu personagem, pois assim aparece-nos como um elemento pontual. Ami Adams, lindíssima, tem neste filme pouco espaço para se afirmar ao contracenar com um soberbo Jake Gylenhaal (Edward) no papel de homem fraco. Um filme interessante que vale a pena desfrutar.

Classificação: 7 numa escala de 10

22 de dezembro de 2016

Opinião – “Custe o que Custar” de David Mackenzie


Sinopse

HELL OR HIGH WATER – CUSTE O QUE CUSTAR! conta a história de dois irmãos no Oeste americano: Toby (Chris Pine), um pai divorciado que tenta assegurar uma vida melhor para o filho, e Tanner (Ben Foster), um irascível ex-presidiário com tendências violentas. Juntos, decidem assaltar sucursal atrás de sucursal do banco que está a penhorar a propriedade da sua família. Com este esquema, eles querem reclamar um futuro que sentem ter-lhes sido roubado por forças maiores. Esta vingança parece ter sucesso até Toby e Tanner se cruzarem com um incansável Ranger texano (Jeff Bridges) à procura de um triunfo final antes da reforma. Assim, ao mesmo tempo que os dois assaltantes planeiam o último roubo para completarem o seu plano, avizinha-se no horizonte um explosivo confronto entre o único polícia honesto do Oeste e um par de irmãos sem nada a perder a não ser a sua família. Para além de um soberbo elenco, este drama conta com David Mackenzie (Starred Up) na cadeira de realizador e tem ainda o argumento assinado por Taylor Sheridan (Sicario - Infiltrado).

Opinião por Artur Neves

É com uma história tipicamente Texana e muito bem relatada que David Mackenzie (realizador nascido na Escócia à 50 anos) nos traz, o ambiente, o tempo atual e a moral subterrânea que justifica em parte, um certo american way of life que optou por eleger a personalidade truculenta de Donald Trump, para quem segue por princípio a filosofia de; “se queres toma-o”…
Nesta história também os dois irmãos assaltam bancos em sequência para satisfazerem os seus desejos de riqueza, no pressuposto que roubam o que já lhes foi anteriormente roubado e esse clima é bem ilustrado no filme pela postura dos banqueiros com quem eles contactam por motivo da herança deixada sob hipoteca pelos seus progenitores.
Toda a história é contada numa toada lenta e suave de acordo com o ambiente que a suporta, belas paisagens selvagens, pôr-do-sol lânguidos e contemplativos, atmosfera seca e acolhedora embora poeirenta que justifica a presença quase constante de cerveja a escorregar pelas gargantas secas pelo ar quente das longas tardes. Toda esta paz só é quebrada pelos assaltos dos dois irmãos e pela tenacidade dos seus perseguidores, com particular destaque para um xerife em vésperas de reforma, mas cuja experiencia acumulada lhe permite vislumbrar todo o plano engendrado por um dos irmãos, embora o menos notado e exuberante nos assaltos já realizados.
Não há propriamente uma investigação mas tão somente a compilação dos factos, o raciocínio simplista do 1 +1 e muita dose de inspiração, “faro” policial e paciência para esperar pelo golpe seguinte, que decorre de acordo com as previsões. Tudo isto é-nos contado sem pressas, sincronizado com o ritmo de vida circundante, entre duas cervejas bebidas em amena cavaqueira entre amigos e colegas de profissão, mostrando que no Texas não há pressa para chegar onde se pretende e enquanto o crude jorrar da terra com a facilidade e os parcos meios técnicos que se vêm no filme, não há aquecimento global que os perturbe e os dólares continuarão a encher os bolsos sem remorsos.
É uma história sobre a América profunda, em que o telemóvel é um quase adorno, a arma uma companhia inseparável e o chapéu de cowboy uma necessidade para proteger daquele sol inclemente. Para quê evoluir se assim se está tão bem e se vive sem preocupações. Um filme a ver para perceber como Manhattan é mesmo uma ilha minúscula naquele imenso país.

Classificação: 8 numa escala de 10

14 de dezembro de 2016

Opinião – “Acerto de Contas” de Gavin O’Connor


Sinopse

Christian Wolff (Affleck) é um génio matemático com mais jeito para lidar com números do que pessoas. Por detrás da sua faceta como revisor de contas numa pequena cidade, ele trabalha como contabilista freelancer para algumas das mais perigosas organizações criminosas. Assim que a Divisão Criminal do Departamento do Tesouro, dirigida por Ray King (J.K Simmons), o começa a investigar, Christian decide aceitar um cliente legítimo: uma empresa de robótica onde uma contabilista, Clerk (Anna Kendrick), descobriu uma discrepância de valores envolvendo milhões de dólares. Mas à medida que Christian encontra novas pistas nos livros e chega mais perto da verdade, o número de mortes começa a aumentar.

Opinião por Artur Neves

Mais uma vez, a somar a centenas de outras vezes, a nomeação em Portugal dos filmes estrangeiros com um nome diferente do original, provoca um desvio do foco da acção nem sempre benéfico para a história que o filme pretende contar. Este é um desses casos em que no original tem o nome de; “The Accountant” (O Contabilista) e pelo nosso mercado de exibição se chama; “Ajuste de Contas”.
No desenrolar da acção ocorre de facto um “ajuste de contas” no sentido mais lato que esta expressão possa ter, todavia a história centra-se na vida e no comportamento social de num homem, com deficiências de cognição compatíveis com sintomas de autismo, grandes perturbações emocionais e hipersensibilidade ao ruído desde a infância, agravadas pela vivencia no seio duma família desestruturada em que a mãe sai de casa e o pai, militar traumatizado com dramas sofridos na guerra do Vietname, assume a educação dos dois filhos, com particular atenção ao desenvolvimento deste, do qual o filme vai-nos mostrar o agravamento das suas tensões internas através de flashbacks que nos apresentam episódios significativos da sua inadequada educação.
É pois a história deste homem, cujo equilíbrio da sua relação social depende de sessões de autoflagelação e de diverso sofrimento autoinfligido na solidão da sua existência diária, que presta o serviço de contabilidade na qualidade de revisor de contas, utilizando a elevada capacidade da sua mente para os números, para a sua fácil memorização e operação nas mais diversas condições e contextos que o conduzem, por vezes sem intenção deliberada, a descobertas imprevistas e surpreendentes.
As coisas complicam-se quando lhe são indicadas à priori, suspeitas, cujas provas ele deve procurar. Estes elementos são-lhe fornecidos por uma mulher que tem o condão de lhe alterar a rotina e de lhe provocar em si mesmo, uma sensibilidade diferente, totalmente desconhecida até então que ele não sabe como manipular. Por outro lado a sua vida dupla, programada, meticulosa, para fazer face às suas alterações incontroladas de humor em caso de contrariedade, são postas em causa de uma maneira que ele não pode permitir e isso vai precipitar toda a acção.
Deste modo Gavin O’Connor realizador americano nascido em 1964, oferece-nos aqui um thriller bem articulado, tocando os géneros de crime e drama em que Christian Wolff (Ben Affleck) desenvolve um personagem psicótico, multifacetado, justiceiro impoluto e executor por conta própria, num argumento bem contado e muito interessante que vale a pena ver.


Classificação: 7,5 numa escala de 10

29 de novembro de 2016

Opinião – “O Protetor” de Jean-François Richet


Sinopse

Depois de ser incriminada pelo seu namorado, um perigoso chefe de um cartel de droga, por ter roubado um avultado pacote de dólares, Lydia (Erin Moriarty) procura refúgio junto do único aliado neste mundo disposto a ajudá-la: John Link (Mel Gibson), o seu pai, um perpétuo fracasso. Link, um antigo motoqueiro criminoso e ex-presidiário, está agora determinado a proteger a sua filha, e pela primeira vez na sua vida, a fazer o que está certo… BLOOD FATHER – O PROTETOR é um intenso thriller de acção realizado por Jean-François Richet, que ganhou sucesso com Inimigo Publico nº 1 (Mesrine).

Opinião por Artur Neves

Jean-François Richet já nos habituou a histórias de violência com uma densidade dramática que excede o que é normal neste género e neste filme repete o figurino com a agravante de se passar entre uma pai e uma filha desaparecida que procura encontrá-la embora sem grandes meios para o conseguir até porque a sua situação de liberdade condicional o obriga à fixação num lugar determinado.
Só que, surpreendentemente vai ser a filha a procurar o pai para a salvar de uma grande complicação em que se meteu, depois de ter baleado o seu namorado, na sequência de um assalto a um dos traficantes de droga, que estava a construir o seu próprio “pé-de-meia”, sonegando ao cartel os proventos do comércio da droga.
A partir do encontro entre o pai e a filha é que a história se desenrola no campo dos afetos paternais mostrando como contra todas as possibilidades que não tem, liberdade, dinheiro, meios de subsistência, este pai vai desenvolver expedientes que resolvam a situação em que a filha se meteu e que ele assumiu como própria.
É o começo da fase roadmovie, de automóvel, primeiro, de mota depois, pelos locais inóspitos da américa profunda mostrando-nos algo que ouvimos falar mas não conhecemos, a américa rural, distante dos grandes centros e do progresso daquele país, a américa esquecida e remetida ao seu gueto, no qual se esconde, habita, vive e se alimenta com a indiferença do regime em vigor, que também não pretende intervir.
É o mundo real do cada um por si, onde amigos de outrora se revelam inimigos atuais, onde as alianças do passado não passam de memórias. Todo o ambiente circundante é hostil, deserto, sem abrigo físico nem qualquer espécie de apoio, onde se luta pela sobrevivência fugindo e matando para não ser morto.
Toda a ação está bem desenvolvida, as personagens são convincentes, com particular destaque para um assassino profissional contratado pelo cartel, que dispara sobre tudo o que mexe para cumprir a sua missão. John Link (Mel Gibson), que já se revelou como bom ator e realizador (“Braveheart” e “A Paixão de Cristo”, respetivamente) constrói aqui um pai esforçado e conhecedor dos caminhos a percorrer, com a violência necessária para os superar que nos cativa pela sua abnegação, embora o seu passado não indiciasse tais sentimentos. É pois um filme de ação, bem estruturado, de argumento fácil para podermos disfrutar da ação, que recomendo.


Classificação: 6 numa escala de 10

18 de novembro de 2016

Passatempo Cinema - UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE

A D'Magia em parceria com a Big Picture Films tem para oferecer 20 convites duplos para a antestreia do filme " UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE ", versão 3D, dia 28 de Novembro, às 21.30h:

NOS COLOMBO – 10 convites duplos
NOS NORTESHOPPING – 10 convites duplos



Sinopse:
O novo capítulo do franchise blockbuster UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE segue Selene, a Vampira negociante de mortes (Kate Beckinsale) na sua defesa contra ataques brutais, tanto do clã Lycan como da facção Vampire que a traiu. Com os seus únicos aliados, David (Theo James) e o seu pai Thomas (Charles Dance), ela terá de por um fim à eterna guerra entre Lycans e Vampiros, mesmo que isso implique um derradeiro sacrifício.

Para te habilitares a ser um dos vencedores só tens de responder às seguintes perguntas:

- Que actriz desempenha o papel de Selena?

Caso nos sigas nas nossas outras plataformas, a tua participação conta como mais uma por cada plataforma em que nos seguires. Basta nos referires na tua participação o teu nome de seguidor em cada uma delas. As nossas plataformas são: 

Blog D'Magia LifeStyle / Inconfidências de Pedaços Rasgados de Memória - https://www.pedacosrasgadosdememoria.blogspot.com

Regras do passatempo:
1) Enviar a resposta para martadacunhaecastro@gmail.com indicando: Nome Completo, Número de BI ou CC, Nome de Fã no Facebook e Nome de Seguidor no Blog
2) O assunto do email deverá ter a menção Passatempo Cinema - UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE e a localidade (LISBOA ou PORTO)
3) Só é válida uma participação por pessoa/e-mail.
4) É obrigatório seres nosso Fã no Facebook e Seguidor no Blog.
5) O passatempo é válido até às 23:59 de dia 25 de Novembro
6) Os vencedores serão apurados através de um sorteio via random.
7) Os vencedores avisados através de email.

12 de novembro de 2016

Opinião – “As Inocentes” de Anne Fontaine


Sinopse

Polónia, 1945. Mathilde, uma jovem médica da cruz vermelha, encontra-se numa missão para ajudar os sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Quando uma freira lhe pede ajuda, esta apercebe-se que existem várias freiras grávidas, fruto da barbaridade dos soldados soviéticos. Incapazes de conciliar a fé com a gravidez, as freiras apoiam-se em Mathilde, a sua única esperança.

Opinião por Artur Neves

Este filme conta uma história verídica ocorrida na sequência do término da Segunda Guerra Mundial, quando um dos membros da coligação vencedora, os Russos, nesse tempo os soldados da União Soviética entram na Polónia, anteriormente ocupada pelos Alemães, para a libertar e começam por violar as freiras de um convento que lhes aparece no caminho. A realizadora, Anne Fontaine, nascida em 1959 no Luxemburgo apresenta trabalhos que a qualificam como habilitada para o tema em questão, todavia já nos trouxe melhores abordagens do que a presente história, provavelmente por não ter colaborado na autoria do argumento, como noutras realizações em que destaco “Paixões Proibidas” de 2013.
Todavia a história é simples, as freiras são mulheres, foram violadas e como resultado ficaram grávidas numa condição inaceitável para a época, 1945, e para o local em que aconteceu, Polónia católica e fragilizada com a guerra. Deste caldo resulta um grupo de mulheres “embaraçadas” com a sua condição que no limiar do sofrimento psíquico e físico em que sobrevivem, solicitam a ajuda de uma médica pertencente a outra facção libertadora; os USA, que após ultrapassar as formalidades inerentes à política do pós-guerra, bem como a sua própria incompreensão para a condição de submissão aos cânones monásticos das “pré-mamãs”, as ajuda a completar a sua mais nobre função de vida; ser mulher.
É aqui que esta história atinge o seu zénite, pois a solução tradicional destas mulheres era, abortar em condições inimagináveis, parir e matar os filhos à nascença por iniciativa pessoal, ou parir e entregar o fruto do seu ventre aos cuidados da madre superiora, déspota e sifilítica, que alegando que os entregaria a uma mãe de acolhimento na vila mais próxima do convento, os abandonava na base de um cruzeiro existente na floresta, á intempérie do gelo e do frio inverno Polaco, como penitencia e desconto dos “pecados” cometidos pela mãe improvável e indesejável à congregação.
Assim observamos mais uma incongruência desta religião milenar que apelando à protecção dos fracos e pugnando pelo amor fraterno entre todos os seus membros, comete barbaridades com a que nos é mostrada nesta história, justificadas pela submissão ao dever de repulsa pela mais poderosa pulsão humana; a pulsão sexual, decorrente da qual nos multiplicamos e progredimos como espécie. A acção decorre maioritariamente dentro das portas do convento onde nos é mostrado todo o sofrimento infligido pela fé, pela obediência cega ao preceito da castidade, que mesmo quando usurpado sem o consentimento de um dos parceiros, só pode ser “lavado”, “purificado”, ou como lhe quiserem chamar, pelo sacrifício inapelável do fruto dessa relação.
Enfim, no final as coisas compõem-se e só espero que tenha sido esse o seu verdadeiro desfecho. É uma história interessante que levanta questões bem actuais que não devemos esquecer, porque, embora escondidas em conventos e outros locais, andam por aí… a ver.

Classificação: 7 numa escala de 10

25 de outubro de 2016

Opinião – “Café Society” de Woody Allen


Sinopse

Nova Iorque nos anos 30. Sem paciência para as discussões dos pais, para o irmão gangster e o negócio de família, Bobby Dorfman chega à conclusão que precisa de uma mudança de cenário! Assim, decide ir para Hollywood, onde o seu tio Phil, um poderoso agente de estrelas de cinema, contrata-o como moço de recados. Em Hollywood, apaixona-se, mas infelizmente a rapariga tem namorado. Bobby conforma-se com a ideia de serem apenas amigos – até ao dia em que ela bate à sua porta, explicando-lhe que o namorado a deixou. Subitamente, a vida de Bobby dá uma inesperada e romântica reviravolta.

Opinião por Artur Neves

Esta é mais uma história escrita e realizada por Woody Allen, mais concretamente o seu quinquagésimo segundo filme de uma carreira dedicada à realização e interpretação de personagens, frequentemente associados a particularidades e características do próprio autor, ou nos tempos mais recentes, ao desenvolvimento de perturbações de personalidade que colidem com o seu normal comportamento social, ou com os outros.
Durante toda a sua carreira o amor foi sempre um tema recorrente das suas histórias, descrito com ansiedade, como em; “Annie Hall” de 1977, com a sua principal musa inspiradora, como em “Manhattan” de 1979, ou “Crimes e Escapadelas” de 1989 apresentando outras facetas deste mesmo sentimento, central na vida de todos nós, bem como o particular amor pelo Jazz que desde sempre preencheu o universo de Woody Allen e que ele inclui no ambiente deste filme com a habitual mestria que nos tem habituado ao longo de todos estes anos.
Este filme é pois como que um regresso às origens do motivo mais significativo das suas obras, o amor, mas vivido de um modo calmo por alguém que não o é na sua essência e apesar de se tratar de um amor desencontrado, um amor frustrado, que nunca se realiza mas por permanecer para sempre nesse estado, se torna perfeito, infinito, perene como a relva, imorredoiro.
Não é por acaso que o actor escolhido foi Jesse Eisenberg, cujas características físicas são muito semelhantes a Woody Allen quando jovem, constituindo assim um alter-ego do autor vivenciando um amor “fatal”, inconseguido, no ambiente muito bem trabalhado de Hollywood, com todos os ingredientes do luxo e do glamour da época, nas recepções e nos bailes em que o jazz soa durante todo a acção e envolve os dois amantes que não se encontram encontrando-se, tanto no principio como no Café Society (que dá nome ao filme) e que ficam para sempre separados mas ligados, como naquela passagem do ano de 1930.
A imagem é excelente acentuando a sua aparência nos tons doirados, os travellings da câmara ajudam a compor e a descrever o ambiente, o amor é simples e fulcral remetendo todos os outros elementos da história para uma secundarização que realça ainda mais esse amor desencontrado, embora real e vivo.

Classificação: 7 numa escala de 10

20 de outubro de 2016

Opinião – “As armas de Jane” de Gavin O’Connor”


Sinopse

Jane Hammond (Natalie Portman) construiu uma nova vida com o seu marido Bill “Ham” Hammond (Noah Emmerich) e filha, nas difíceis e perigosas planícies do oeste americano. Mas quando Hammond se envolve num tiroteio com John Bishop (Ewan McGregor) e o seu bando de criminosos, e regressa a casa ferido, ela tem a certeza que Bishop não irá parar até que toda a sua família seja morta. Em desespero, Jane pede ajuda a Dan Frost (Joel Edgerton), um homem com quem teve um relacionamento no passado. Perseguida por memórias antigas, Jane vai ver o passado confrontar-se com o presente numa batalha épica pela sobrevivência.

Opinião por Artur Neves

Para um tema quase caído no esquecimento por Hollywood, subitamente aparecem duas realizações que embora com pergaminhos diferentes abordam o mesmo tema do western em duas vertentes diferentes; “Os Sete Magníficos” na tradição da conquista do oeste, com bandidos e bandidos transformados em heróis e neste filme; “As Armas de Jane” uma versão mais romântica e minimalista da mesma luta pela miragem de um mundo melhor.
A história desenrola-se nas planícies sem fim onde um homem com a cabeça a prémio é perseguido e ferido pelos seus pretensos captores, mas de quem ele escapa muito mal tratado, bastante ferido com várias balas no corpo até se refugiar na sua casa entretanto guardada pela sua mulher que o acolhe e promove a sua defesa.
Não seria fácil para uma única mulher defender-se com êxito pelo que esta recorre a alguém que nos vai ser revelado ter sido o seu primeiro amor entretanto deixado para trás por razões que vamos conhecendo através de flashbacks e de conversas intimistas durante a espera para o assalto dos caçadores de prémios que eles pretendem combater.
No final tudo se compreenderá com recurso à técnica dos flashbacks apresentados em ordem salteada provando que a nossa compreensão da história não depende da ordem de ocorrência dos eventos, mas sim de eles terem sido referidos ou não. A filmagem recorre a planos longos, mostrados através de janelas com movimentos de camara ao estilo de Jonh Ford denunciando com isso a “escola” do realizador, o que não é um defeito em si mesmo, pelo contrário. Todavia noutros elementos apresenta-se algo naïf como na idílica viagem em balão, num flashback que apenas distrai o espectador da tensão que se avoluma com a chegada dos assaltantes.
O vilão maior porém, não convence, interpretado por um Ewan McGregor que constrói um personagem sem densidade nem espessura perdendo-se numa caricatura tosca do vilão do inóspito oeste americano. Aliás todos os caçadores de prémios apresentam características algo frouxas para o desempenho esperado.
Todo o filme porém assenta num formalismo de acordo com o figurino, com uma história revelada a conta-gotas que cativa o espectador. A Jane exibe a força adequada à acção embora o rosto da Natalie Portman se apresente demasiado doce em certas cenas. O trabalho de fotografia é irrepreensível e o filme vê-se com agrado no seu todo, embora não permaneça muito tempo na nossa memória.

Classificação: 6 numa escala de 10

13 de outubro de 2016

Opinião – “Nem Respires” de Fede Alvarez


Sinopse

Um trio de imprudentes ladrões invade a casa de um homem cego abastado, pensando que irão conseguir safar-se com o assalto perfeito. Estão enganados.

Opinião por Artur Neves

“Nunca se deve considerar como adquirido o que ainda não está na nossa mão” poderia ser o conceito resumo, em jeito de corolário, sobre a moral que se pode extrair desta história escrita e realizada por Fede Alvarez, original do Uruguai e já com outras realizações no género, embora neste caso, elevando-o para um patamar superior, considerando a originalidade e a simplicidade com que o suspense é criado e mantido em todo o filme.
O argumento é linear e o espectador cedo fica informado do que se pretende. Esta característica deixa-o livre para desfrutar o “como”… o terror é criado, sem monstros estranhos, mortos-vivos, espíritos enviados do além, ou outros elementos gore de que outros filmes se suportam para criar a tensão e a surpresa da acção que assim aparece naturalmente, através de pessoas que agem e actuam segundo os seus instintos para tentar obter o que pretendem.
A escuridão é mais penosa para quem está habituado á luz, pelo que nesta história a cegueira apresenta-se como vantagem diferenciadora para quem se defende, atacando os intrusos que o vieram perturbar. O jogo de “gato e rato” é tecido entre elementos que se apresentam como contraditórios relativamente ao resultado tradicionalmente esperado entre o gato e o rato.
Toda a acção decorre dentro de uma casa, durante a noite, na penumbra de uma escuridão provocada em que os olhos são menos importantes do que outros sentidos que possuímos, tal como; o olfacto e a audição que assumem aqui um papel fundamental entre quem sabe e não os sabe usar, tanto na defesa como no ataque, o que torna esta história muito interessante do ponto de vista formal.
Adicionalmente ao “jogo” anteriormente referido juntam-se outros elementos de carácter humano que posteriormente se revelam, fazendo o espectador vacilar sobre o lado em que implicitamente se colocou desde o início do filme, dando continuidade às primeiras imagens vistas que até então se tinham tornado incompreensíveis.
A realização convence com o ambiente criado, os personagens são credíveis, a história é escorreita embora provoque surpresa e emoção em diferentes situações e por diferentes motivos, pelo que constitui um meio de diversão agradável para quem não se assustar sem reais motivos.

Classificação: 7 numa escala de 10

6 de outubro de 2016

Opinião – “Mechanic – Assassino Profissional” de Dennis Gansel


Sinopse

Justamente quando Arthur Bishop julgava que os seus dias como assassino eram coisa do passado, é forçado a voltar ao ativo quando Gina, o amor da sua vida, é raptada pelo seu mais perigoso inimigo. Agora Arthur tem de viajar pelo globo para completar três impossíveis assassinatos, onde estão os nomes dos mais perigosos homens do mundo, e ainda fazer com que eles pareçam acidentes.

Opinião por Artur Neves

Jason Statham (Arthur Bishop) na pele de um assassino reformado desde 2011, (data da primeira aparição deste personagem) volta a presentear-nos com uma movimentada história recheada de acção e de lutas com vitórias improváveis, para nos tentar fazer esquecer a realidade dos dias. Para melhor compor o ramalhete apresenta-nos como motivo uma súbita paixão assolapada por Gina (Jessica Alba, linda como sempre) quando esta constituía inicialmente, a segunda contratante, (a primeira, “Mei”, Michelle Yeho, não teve tanta sorte) para os trabalhos que ele não queria realizar para o mau muito mau que o persegue pelo planeta.
O desmanchar da dureza do herói acontece quando ela lhe confessa os seus puéreis desígnios de protecção a órfãos e criancinhas abandonadas numas ilhas esquecidas da Malásia (bem a propósito com o drama dos refugiados às portas da Europa) sendo então que o seu coração de manteiga se desfaz ao sol e ao calor das águas transparentes das ilhas do Caribe.
Eu sei que todos os motivos do “bem” combater o “mal” já foram utilizados repetidamente em múltiplas histórias, milhares delas, cujo core são sempre as boas práticas de sã convivência social, os bons costumes e as melhores intenções, mas uma estrutura de telenovela num filme de acção contra bandidos internacionais, praticado por um designado assassino profissional não me parece de todo adequado. Por favor meus senhores exige-se um pouco mais de imaginação ou os argumentistas de serviço (Philip Shelby e Tony Mosher) não conseguem mais do que reciclar conceitos estafados.
Como distracção o filme está recheado de acção e de efeitos que nos emocionam e interessam, as diferentes histórias prendem a atenção, cada um dos assassinatos são como pequenas aventuras desenvolvidas com imaginação e meios técnicos suficientes que justificaria maior interligação entre si de forma a não parecerem o que realmente são, casos isolados que se desenrolam durante o tempo de duração do filme dando a impressão que o realizador, Dennis Gansel, nascido em 1973 em Hannover na Alemanha, apenas se preocupou com o preenchimento do tempo disponível.
Ainda assim caro leitor se não tiver nada para fazer, aproveite os 98 minutos que o filme lhe oferece para se evadir da realidade, perdoe o “cheiro” a telenovela barata e aprecie as cenas de acção como só Jason Statham nos tem apresentado em várias oportunidades e divirta-se que este filme é para ver e esquecer.


Classificação: 5 numa escala de 10